Atenção — Leia antes de começar

7 Erros Mais Comuns ao Montar um Posto de Combustível

Baseado em mais de 50 postos entregues em MG, ES e GO, esses são os erros que atrasam a obra, encarecem o projeto e, em alguns casos, inviabilizam o negócio completamente.

Tallyson Nascimento — Resp. Técnico ANECO
Atualizado em junho de 2025
Leitura: 6 minutos
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Tallyson Michell Pinheiro Amorim Nascimento
Responsável Técnico — ANECO Construtora · Ribeirão das Neves, MG
+50 postos entregues MG, ES e GO +15 anos de experiência

Em mais de 15 anos atuando na construção e licenciamento de postos de combustível em Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás, vi de perto os mesmos erros se repetirem em projetos de investidores diferentes. Alguns custaram meses de atraso. Outros custaram centenas de milhares de reais. E alguns, infelizmente, inviabilizaram o projeto por completo.

Este artigo é um resumo direto do que aprendi em campo — sem teoria, sem generalização. São situações reais que aconteceram em obras que acompanhei ou que foram trazidas para a ANECO para serem resolvidas.

1
Pular o Estudo de Viabilidade
Custo médio do erro: R$ 50 mil a R$ 300 mil perdidos

O erro mais comum e o mais caro. O investidor se apaixona por um terreno, fecha o negócio e só depois descobre que o fluxo de veículos é insuficiente, que há um posto da Petrobras BR a 400 metros ou que o zoneamento municipal não permite atividade de revenda de combustíveis naquele local.

Em Minas Gerais, já acompanhamos casos em que o terreno foi comprado por R$ 600 mil e o licenciamento foi negado na primeira fase por incompatibilidade de zoneamento — uma perda que poderia ter sido evitada com 2 semanas de análise prévia.

Como evitar: Antes de qualquer compromisso financeiro, solicite um Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica (EVT). A ANECO realiza esse estudo gratuitamente para projetos em MG, ES e GO.

2
Contratar uma Construtora Generalista
Custo médio do erro: R$ 80 mil a R$ 250 mil em retrabalho

Posto de combustível não é uma obra civil comum. Envolve instalação de tanques subterrâneos conforme ABNT NBR 13.781, sistemas SAO com cálculo hidráulico específico, instalações elétricas em área classificada NR-20, SPDA com aterramento equipotencializado e cobertura metálica de grande vão livre.

Construtoras generalistas não dominam essas especificidades. O resultado quase sempre é o mesmo: embargo por irregularidade, reprovação na vistoria ambiental, retrabalho na instalação elétrica e atraso de 4 a 8 meses na entrega.

Em um caso que a ANECO recebeu para resolver em Ipatinga (MG), a construtora anterior havia instalado o SAO sem as câmaras corretas. O posto foi embargado pelo órgão ambiental 3 dias após abrir. O custo para demolir e refazer foi de R$ 140 mil, além dos 5 meses parado.

Como evitar: Contrate uma construtora que tenha portfólio comprovado em postos de combustível. Peça referências de obras entregues e visite pelo menos um posto construído pela empresa antes de assinar contrato.

3
Iniciar a Obra Antes da Licença de Instalação
Custo médio do erro: embargo + multa de R$ 5 mil a R$ 500 mil

A ansiedade de começar logo é compreensível — cada mês de atraso representa receita perdida. Mas iniciar instalações específicas do posto (tanques, tubulação, SAO) antes da autorização ambiental é crime ambiental, independentemente do rito.

No rito trifásico (LP + LI + LO), utilizado como regra geral no ES e GO, as obras só podem começar após a emissão da Licença de Instalação (LI). No rito simplificado (LAS/RAS), utilizado na maioria dos postos em MG, a licença única já autoriza a instalação, mas ela precisa estar em mãos antes do início. Em ambos os casos, o órgão ambiental pode interditar a obra, aplicar multa e exigir restauração — reiniciando o processo do zero.

Como evitar: Defina claramente qual rito se aplica ao seu projeto (LAS em MG ou LP+LI+LO no ES/GO) e use a autorização correspondente como marco de início das instalações. Terraplenagem e limpeza do terreno podem ser realizadas após o alvará de construção municipal, mas qualquer instalação específica de posto só com a licença em mãos.

4
Subestimar o Capital de Giro Inicial
Custo médio do erro: abertura antecipada sem estoque ou paralisação da obra

O foco de quem está construindo o posto fica todo no CAPEX — obra, equipamentos, licenças. Mas poucos planejam adequadamente o capital de giro para os primeiros 3 meses de operação: estoque inicial de combustível, folha de pagamento dos frentistas, despesas fixas (energia, aluguel, seguros) e a inevitável inadimplência inicial dos cartões de crédito (prazo de recebimento de 30 dias).

Um posto médio de combustível precisa de R$ 200 mil a R$ 400 mil apenas em estoque inicial de combustível para abrir com tanques cheios. Sem esse planejamento, o posto abre e fecha em menos de 60 dias.

Como evitar: O EVT da ANECO inclui projeção de capital de giro, DRE mensal dos primeiros 6 meses e análise do fluxo de caixa de abertura, para que você saiba exatamente quanto precisa ter disponível além da obra.

5
Escolher a Bandeira Errada
Impacto: contrato de exclusividade desfavorável por 10 a 15 anos

A decisão entre posto bandeirado (Petrobras BR, Ipiranga, Shell, Raízen) e posto de bandeira branca é uma das mais importantes e menos analisadas. Muitos investidores assinam contratos de exclusividade com distribuidoras seduzidos por benefícios como financiamento de equipamentos e comodato de bombas — sem ler as cláusulas de prazo, metas de volume e condições de rescisão.

Um contrato com distribuidora pode exigir volume mínimo de 300.000 litros/mês. Se o posto vender 180.000 litros, o investidor paga multa contratual. Já vimos casos em que a multa por rescisão antecipada ultrapassou R$ 400 mil.

Como evitar: Negocie qualquer contrato com distribuidora com assessoria técnica e jurídica. O EVT da ANECO projeta o volume realista de vendas para o ponto específico, evitando assumir metas inatingíveis.

6
Não Regularizar a Documentação Antes da Obra
Custo médio do erro: 3 a 8 meses de atraso na abertura

A obra pode estar 100% concluída, mas se o CNPJ não tiver o CNAE correto (4731-8/00), se o CTF/IBAMA estiver vencido, se o contrato social não tiver o objeto correto ou se as certidões fiscais tiverem pendências, a ANP não concede a autorização e o posto não abre.

Esses são problemas simples de resolver, mas que travam o processo por meses porque exigem retificações em cartório, regularização fiscal federal, estadual e municipal — e cada pendência tem seu próprio prazo de resolução.

Como evitar: A ANECO realiza o checklist completo de documentação no início do projeto, antes da obra, para que todas as pendências sejam resolvidas com antecedência. Nenhum cliente nosso já ficou com o posto pronto e parado por problema documental.

7
Ignorar o Pós-Obra: Manutenção e Conformidade Contínua
Custo médio do erro: multa ambiental + suspensão da LO

A Licença de Operação (LO) tem prazo de validade — geralmente 4 anos — e precisa ser renovada. O SAO precisa de limpeza periódica documentada. Os tanques precisam de teste de estanqueidade anual. As bombas precisam de calibração pelo INMETRO a cada 2 anos. O CTF/IBAMA precisa ser renovado anualmente.

Muitos investidores inauguram o posto e esquecem que manter a conformidade ambiental é uma obrigação contínua. A suspensão da LO por falta de renovação implica paralisação imediata das atividades — mesmo com tudo funcionando perfeitamente.

Como evitar: Monte um calendário de conformidade no primeiro dia de operação: datas de renovação de LO, CTF, AVCB, calibrações e limpeza do SAO. A ANECO oferece assessoria pós-obra para clientes que precisam de acompanhamento contínuo.

Conclusão: A maioria desses erros tem uma causa em comum — falta de planejamento técnico antes de começar. Com mais de 50 postos entregues em MG, ES e GO desde 2018, a ANECO desenvolveu um processo que elimina esses riscos desde a primeira reunião. Nossa taxa de postos que abriram no prazo planejado é superior a 90%.

Quer evitar esses erros no seu projeto?

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